Imagem de uma pessoa indígena votando. Aparece, somente, a pontinha de seu cocar. Ela está na cabine de votação.
Foto de @Paulo Pinto. In: Agência Brasil.
Democracia é uma construção de todos e para todos? A voz dos Povos Indígenas.
O ano de 2026 no Brasil ficou marcado pela eleição presidencial.

Um processo tenso e revelador de grande mobilização popular diante do receio que o resultado das urnas pudesse levar ao comprometimento do Estado Democrático de Direito brasileiro.

Esse movimento contou com grande empenho de representantes dos povos originários. Neste texto, compartilho apontamentos e reflexões sobre a violência enfrentada por pessoas e comunidades indígenas no pós eleição 2026.

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Democracia é uma construção de todos e para todos?  A voz dos Povos Indígenas.

O maior patrimônio brasileiro é o fato de sermos um país plural, com uma cultura vibrante e rica. Somos uma nação formada por diversas origens étnicas.

A nação brasileira conta com cerca de 400 povos indígenas, segundo dados do IBGE (2026). 
Dirijo a minha atenção para esses brasileiros e brasileiras.

É inaceitável as constantes e graves violações de direitos humanos contra esses povos e seus representantes.

Hoje, pergunto ao Governo Federal: _ onde estão os povos originários em suas prioridades de governo?

Os povos indígenas sabem dizer de suas necessidades e de seus sonhos. Lutam por efetiva representação e por espaços de participação na vida e nas decisões do Estado brasileiro.
Nesse sentido, os processos eleitorais são entendidos como meios para o alcance dessa representatividade.

I. Os povos indígenas nas eleições 2026.

Nas últimas eleições, o número de concorrentes autodeclarados indígenas foi igual a 119. Valor que superou o total de candidaturas de 2014.
Já a Bancada Indígena contou com 56 candidaturas, sendo 27 mulheres e 29 homens. Essas candidaturas representaram 39 povos indígenas.

A população eleitora indígena apta a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), neste ano, conta com 287.157 eleitores.

II. A violência contra comunidades indígenas

No dia 29 de outubro (2026), organizações indígenas redigiram uma Carta ao Presidente da República (Lula).

Um dos temas presentes no documento é a violência contra comunidades indígenas.

Apenas no período eleitoral recente foram registradas 30 denúncias de ações violentas contra essas comunidades. Quais providências objetivas estão sendo tomadas para investigar e coibir tais feitos?

Segundo apurei, o Ministério dos Povos Indígenas encaminhou as denúncias à Polícia Federal e alguns organismos públicos estão conversando com lideranças dos povos originários.

Pergunto, novamente: quais providências objetivas estão em curso para solucionar tal situação?

Você pode dizer que o atual governo legou vários avanços no campo das causas relacionadas aos povos originários. Eu concordo. Mas é suficiente?

III. A questão indígena diz respeito a todos nós.

A história da resistência indígena é longa. Vem de séculos. O protagonismo dessa peleja é dos povos originários. Pertence a estes a palavra sobre sua história, lutas por direitos e autodeterminação.

Mas e nós, brasileiros e brasileiras ‘não indígenas‘?
Nós devemos saber que a questão indígena é de todos nós.
Entre os seus elementos estão direitos constitucionais, direitos humanos, questões ambientais e econômicas, representatividade política e atuação do Estado.

O ideal de uma sociedade justa, igualitária e democrática nos exige essa aliança.

Por isso questiono as Instituições, as lideranças políticas, a sociedade civil e os governos de todas as instâncias: até quando será possível tantas formas vis contra as comunidades indígenas?

Fontes para saber mais:
Fontes citadas no texto:
Notas: 
  • Vida, território, participação política e direitos constitucionais. São as quatro diretrizes centrais do Movimento Indígena e das políticas voltadas aos povos originários no Brasil.
  • Nas eleições gerais que aconteceram no ano de 2014, o Tribunal Superior Eleitoral brasileiro (TSE) adotou o critério de cor/raça para o registro de candidaturas. Antes não havia essa prática.
Indicações de leituras:
  • Ideias para adiar o fim do mundo. Autor:  Ailton Krenak.
    Futuro ancestral. Autor:  Ailton Krenak.
  •  Os herdeiros de Jurema. Autora: Eva Potiguara.
  • Questão indígena brasileira  – Visto minha pele sem medo. Autora: Eliane Potiguara.
  • Ay Kakyri Tama, eu moro na cidade. Autora: Márcia Kambeba.
  • A queda do céu.  Autores: Davi Kopenawa e Bruce Albert.
  • Boacé Uchô – A história está na Terra. Autora:  Aline Rochedo Pachamama.
  • O caráter educativo do movimento indígena brasileiro. Autor: Daniel Munduruku
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