No período do Brasil colonial, imagens de mulheres representadas desenvolvendo atividades de escrita ou de leitura ou, ainda, exibindo ícones de instrução – como livros, penas para escrever, pergaminhos – eram raras.
As existentes, em geral, estavam no rol das imagens sacras.
Nesta categoria, Nossa Senhora da Pena – protetora das artes, das letras e das ciências – valoriza o conhecimento; contudo, a representação dessa Nossa Senhora não foi comum no Brasil.
I. A Padroeira de Porto Seguro
Na matriz de Nossa Senhora da Pena – localizada na cidade histórica de Porto Seguro, no Estado da Bahia (Brasil) – há uma imagem de Nossa Senhora da Pena, padroeira do local.
Segundo narrativas dos moradores de Porto Seguro, o donatário Pero de Campos Tourinho era devoto de Nossa Senhora da Pena.
Por esse motivo, no ano de 1535, ele ordenou a construção de uma igreja e trouxe essa imagem de Portugal.
Este donatário viveu no Brasil de 1535 a 1546 (11 anos).
Chegou ao Brasil para tomar posse da Capitania de Porto Seguro.
Retornou para a metrópole em consequência de acusações de blasfêmia, recebidas pela Inquisição.
II. Uma Santa pouco popular no Brasil
Salvo engano, as únicas imagens existentes, instrumentos de veneração a essa Nossa Senhora, em nossas terras são:
- a presente na Matriz de Nossa Senhora da Pena, em Porto Seguro;
- a que se encontra na cidade do Rio de Janeiro (RJ) no bairro Jacarepaguá e
- as duas encontradas no Estado de Minas Gerais: uma em Buritis e outra em Rio Vermelho.
Nas cidades mineiras, Nossa Senhora da Pena tem, assim como em Porto de Seguro, o posto de padroeira.
III. Que pena?
No Rio de Janeiro, a imagem está na Igreja Nossa Senhora da Penna.
Nessa cidade, a santa renascentista perdeu o seu sentido relacionado ao mundo da cultura.
A despeito da Nossa Senhora portar sua pena, instrumento de escrita, o termo pena passou a ser entendido como sinônimo de castigo.
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IV. Santa Ana
Santa Ana, ao contrário de Nossa Senhora da Pena, teve grande popularidade no Brasil colonial.
Quando pensamos em imagens femininas, portanto ícones que remetam ao conhecimento ou à instrução, circulantes pela sociedade do Brasil Colônia, lembramos das representações de Santa Ana.
Saiba mais em: Imagens sacras de Sant’Ana e a educação feminina.

