Arte: editora e Histori-se.
no Brasil Colônia

As analfabetas e as letradas.

A maioria das mulheres, que viveu no Brasil colonial, não sabia ler e nem escrever.

A parcela da população feminina, que aprendia a ler, era muito pequena.

Mulheres, que sabiam ler e escrever, eram raras.

Para termos ideia dessa porcentagem, lembro uma pesquisa que investigou 450 inventários realizados, no período de 1578 e 1700, na Vila de São Paulo.

Entre as mulheres mencionadas, apenas duas sabiam assinar o nome.

“Significativa a forma por que nos documentos do tempo se declara o motivo de ser o ato assinado por outrem:
‘a pedido da outorgante, por ser mulher e não saber ler’ ( Tobias, 1986, p.46)

Arte: editora de Histori-se
As mulheres alfabetizadas

Mas… e as mulheres que sabiam ler e escrever? O que sabemos sobre elas?

Muitas perguntas! Poucas respostas…

Raramente, temos acesso a pensamentos, ou ainda, a questões dessas mulheres, através, de seus escritos.

Se alfabetização de mulheres não era entendida como uma necessidade, tampouco, os seus escritos eram considerados importantes ou, mesmo, documentos a serem guardados.

Madalena Caramuru é considerada a primeira brasileira alfabetizada.
selo estampado Madalena Caramuru - educação feminina
Selo instrução feminina no Brasil.

Segundo consta, o professor foi o seu marido: o português, Afonso Rodrigues.

Uma carta, datada de 1561, endereçada ao bispo de Salvador, é atribuída a Madalena.

Nessa carta, ela roga pelas crianças escravizadas.

O olhar do outro

Nos escritos dos homens, encontramos notícias de mulheres que sabiam ler ou, ainda, ler e escrever.

Os documentos produzidos pela Inquisição são exemplos de fontes, nas quais, encontramos mulheres alfabetizadas.

Felipa de Souza (c.1556 -?) é uma das mulheres que sabia ler e escrever, localizada nos registros do Tribunal do Santo Ofício.

De acordo com o escrito nos anais inquisitórios, ela confessou usar cartas para se comunicar com as mulheres, pelas quais se sentia atraída.

Felipa foi condenada pela Inquisição por lesbianismo.

O nome, Felipa de Souza Award designa, atualmente, o prêmio internacional de Direitos Humanos dos Homossexuais.

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Nota:
  1. Já imaginou conversar com Madalena Caramuru? Saiba sobre o encontro entre Histori-se e Madalena Caramuru . Clique no link.
  2. Sobre Felipa de Souza, vide SCHUMAHER e BRAZIL, 2000, p. 228.
  3. Sobre Madalena Caramuru, vide SCHUMAHER e BRAZIL, 2000, p. 350.
Referências citadas no texto:
  • SCHUMAHER, Schuma e BRAZIL, Érico Vital (org.). Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até a atualidade, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora,2000.
  • TOBIAS, José Antônio. História da Educação Brasileira. 3 ed. São Paulo: IBRASA, 1986
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