Arte: editora de Histori-se

Padre quer escolas para meninas

Os primeiros seis jesuítas chegaram ao Brasil com o governador-geral Tomé de Souza (1549).

O grupo era chefiado pelo Padre Manoel de Nóbrega.

Ao questionamento sobre quem instruir, tinham resposta objetiva:

  • oferecer o catecismo a meninos e meninas, indígenas e descendentes de colonos;
  • instruir meninos, indígenas e filhos de colonos, nas primeiras letras.
Um pedido estranho para o europeu

Essa resposta perdeu sua certeza, por volta de 1552. Por quê?

Alguns dos indígenas, que tinham seus filhos instruídos pelos jesuítas, não compreendiam o porquê da exclusão das meninas do ensino da leitura e da escrita.

Eles solicitaram igual acesso à instrução para os dois sexos.

Padre Manoel da Nóbrega quer escolas para meninas.

O Padre Manoel da Nóbrega refletiu sobre as vantagens da oferta da instrução básica para ambos os sexos, no contexto do projeto de colonização e cristianização dos povos que aqui viviam.

Convencido de que essa era uma boa ideia, buscou o apoio de Tomé de Sousa e, ainda, recorreu à Rainha Catarina para conseguir autorização para ministrar, além da catequese, o ensino das primeiras letras às meninas.

O Padre, também, buscou o apoio da Ordem dos jesuítas.

Observe um trecho do texto de uma carta de sua autoria, datada de 12 de junho de 1561, endereçada a Diogo Láinez, Padre Geral da Companhia de Jesus:

[…] Eu não teria por desacertado […] a casa de meninas dos gentios,
de que tivessem cargo mulheres Virtuosas, com as quais depois casassem estes moços que doutrinássemos
(LEITE, 1938, p. 111)
“.

D. João III e a Companhia de Jesus proibiram a realização de tal intento.

A educação feminina não era valorizada na Corte Portuguesa.

Portugal, nessa época, não tinha um sistema de ensino sólido.
As escolas portuguesas – equivalentes às escolas brasileiras de ler, escrever e contar – eram poucas e destinadas, somente, ao público masculino.

As escolas particulares atendiam aos filhos da nobreza e as ‘de misericórdia’ , aos órfãos.

Apenas no ano de 1815, é que foi permitida a criação de escolas femininas na cidade de Lisboa.

Pense.

A metrópole não valorizava a instrução feminina. Como enxergaria sua importância para mulheres que viviam na Colônia?

Arte: editora de Histori-se (com auxílio de IA*)

Nota

Povos indígenas e História da Educação

Quando os europeus chegaram ao continente americano encontraram diversos e diferentes povos vivendo nessas terras.

Não podemos desconsiderar suas presenças, resistências, influências culturais e processos de aculturação quando refletimos sobre a História da Educação na América.

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