O ano de 2026 no Brasil ficou marcado pela eleição presidencial.
Um processo tenso e revelador de grande mobilização popular diante do receio que o resultado das urnas pudesse levar ao comprometimento do Estado Democrático de Direito brasileiro.
Esse movimento contou com grande empenho de representantes dos povos originários. Neste texto, compartilho apontamentos e reflexões sobre a violência enfrentada por pessoas e comunidades indígenas no pós eleição 2026.
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Democracia é uma construção de todos e para todos? A voz dos Povos Indígenas.
O maior patrimônio brasileiro é o fato de sermos um país plural, com uma cultura vibrante e rica. Somos uma nação formada por diversas origens étnicas.
A nação brasileira conta com cerca de 400 povos indígenas, segundo dados do IBGE (2026).
Dirijo a minha atenção para esses brasileiros e brasileiras.
É inaceitável as constantes e graves violações de direitos humanos contra esses povos e seus representantes.
Hoje, pergunto ao Governo Federal: _ onde estão os povos originários em suas prioridades de governo?
Os povos indígenas sabem dizer de suas necessidades e de seus sonhos. Lutam por efetiva representação e por espaços de participação na vida e nas decisões do Estado brasileiro.
Nesse sentido, os processos eleitorais são entendidos como meios para o alcance dessa representatividade.
I. Os povos indígenas nas eleições 2026.
Nas últimas eleições, o número de concorrentes autodeclarados indígenas foi igual a 119. Valor que superou o total de candidaturas de 2014.
Já a Bancada Indígena contou com 56 candidaturas, sendo 27 mulheres e 29 homens. Essas candidaturas representaram 39 povos indígenas.
A população eleitora indígena apta a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), neste ano, conta com 287.157 eleitores.
II. A violência contra comunidades indígenas
No dia 29 de outubro (2026), organizações indígenas redigiram uma Carta ao Presidente da República (Lula).
Um dos temas presentes no documento é a violência contra comunidades indígenas.
Apenas no período eleitoral recente foram registradas 30 denúncias de ações violentas contra essas comunidades. Quais providências objetivas estão sendo tomadas para investigar e coibir tais feitos?
Segundo apurei, o Ministério dos Povos Indígenas encaminhou as denúncias à Polícia Federal e alguns organismos públicos estão conversando com lideranças dos povos originários.
Pergunto, novamente: quais providências objetivas estão em curso para solucionar tal situação?
Você pode dizer que o atual governo legou vários avanços no campo das causas relacionadas aos povos originários. Eu concordo. Mas é suficiente?
III. A questão indígena diz respeito a todos nós.
A história da resistência indígena é longa. Vem de séculos. O protagonismo dessa peleja é dos povos originários. Pertence a estes a palavra sobre sua história, lutas por direitos e autodeterminação.
Mas e nós, brasileiros e brasileiras ‘não indígenas‘?
Nós devemos saber que a questão indígena é de todos nós.
Entre os seus elementos estão direitos constitucionais, direitos humanos, questões ambientais e econômicas, representatividade política e atuação do Estado.
O ideal de uma sociedade justa, igualitária e democrática nos exige essa aliança.
Por isso questiono as Instituições, as lideranças políticas, a sociedade civil e os governos de todas as instâncias: até quando será possível tantas formas vis contra as comunidades indígenas?
Fontes para saber mais:
- APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.
- COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.
- APOINME – Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo
- Ministério dos Povos Indígenas.
- FUNAI – Fundação Nacional dos Povos Indígenas.
Fontes citadas no texto:
- Carta 24/10/2026. – Esta Terra Tem Dono: Territórios Indígenas Livres de Mineração.
- IBGE – O Brasil Indígena.
- CIMI – Conselho Indigenista Missionário.
- Povos Indígenas – Protagonismo na defesa de seus territórios e culturas. In: Fundação Fernando Henrique Cardoso.
- Jornal Nexo – Reportagem de Mariana Souza, O cerco a indígenas pós eleição. E os desafios para Lula 4 (28/10/2026).
Notas:
- Vida, território, participação política e direitos constitucionais. São as quatro diretrizes centrais do Movimento Indígena e das políticas voltadas aos povos originários no Brasil.
- Nas eleições gerais que aconteceram no ano de 2014, o Tribunal Superior Eleitoral brasileiro (TSE) adotou o critério de cor/raça para o registro de candidaturas. Antes não havia essa prática.
Indicações de leituras:
- Ideias para adiar o fim do mundo. Autor: Ailton Krenak.
Futuro ancestral. Autor: Ailton Krenak. - Os herdeiros de Jurema. Autora: Eva Potiguara.
- Questão indígena brasileira – Visto minha pele sem medo. Autora: Eliane Potiguara.
- Ay Kakyri Tama, eu moro na cidade. Autora: Márcia Kambeba.
- A queda do céu. Autores: Davi Kopenawa e Bruce Albert.
- Boacé Uchô – A história está na Terra. Autora: Aline Rochedo Pachamama.
- O caráter educativo do movimento indígena brasileiro. Autor: Daniel Munduruku

