O 54° Festival de Cinema de Gramado traz à serra gaúcha nomes fundamentais para o cinema do Brasil. Leandra Leal, Marina Ruy Barbosa, Isa, Lázaro Ramos, Marcos Caruso, entre outros.
Andrea Beltrão será parte integrante desta edição: a atriz de 62 anos recebe o Troféu Oscarito, entregue a artistas em reconhecimento à contribuição relevante para com a cinematografia nacional.
Roteirista, produtora, atriz que se destaca tanto em comédias quanto em dramas, atua em telenovelas, cinema, teatro, séries.
Plural, Andrea Beltrão brilha no cenário nacional desde muito jovem.
O Troféu Oscarito encontra as mãos de uma mulher que ajudou a construir o olhar da plateia brasileira.
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Andrea Beltrão: Bravo!!!
Andréa Beltrão receberá o Troféu Oscarito no Festival de Cinema de Gramado deste ano.
Uma escolha justa, uma homenagem merecida. Atrizes como Laura Cardoso, Léa Garcia (in memoriam), Marcélia Cartaxo, Zezé Motta, Dira Paes, Betty Faria, Sônia Braga, Fernanda Montenegro, entre outros nomes, receberam o troféu.
A sétima arte conta, cada vez mais, com trabalhadoras cujo desempenho dramático valoriza a história das mulheres nas telas.
Personagens como Zelda Scott, Marilda e Sueli levaram Andréa Beltrão às casas brasileiras.
Em suas atuações, a atriz dosava características, selecionava gestos, compunha figuras marcantes. Afetuosas, desbocadas, resilientes, as figuras femininas nos faziam refletir sobre os papéis da mulher na sociedade dos séculos XX e XXI.
Particularmente, gostaria de mencionar aqui as interpretações magistrais em “Antígona 442 a. C.” (2016) e de “Hebe, estrela do Brasil (2019), com direção de Maurício Farias.
“Antígona”, dramaturgia feita a quatro mãos em uma parceria entre a atriz e Amir Haddad, sai dos palcos para a tela.
“Hebe” mostrou aos espectadores que, apesar do desafio de representar a icônica Hebe Camargo, Andrea Beltrão soube captar os maneirismos e o carisma da apresentadora mais querida do Brasil.
A releitura de Antígona, de Sófocles, a partir da tradução de Millôr Fernandes, permitiu à atriz operacionalizar um monólogo em que à palavra o corpo se une como potência.
As mãos, os olhos, as pernas, o corpo falam e se expressam intensificando a palavra. A atriz dá vida a todos os papeis com o apoio de mapas mentais e objetos cênicos de um teatro vazio. O diretor Maurício Farias extrai o melhor do potente trabalho artístico de Andrea Beltrão.
O Troféu Oscarito é um marco importante na carreira dessa atriz já tão premiada.

A homenagem é, também, aquele momento em que nos curvamos ante a artista e agradecemos as performances que fazem nossas vidas bem melhores.
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