SUPREMA ou “Com base no sexo”
- Suprema (título original: “On the Bases of Sex”)
- Data: 2018. Roteiro de Daniel Stiepleman.
- Diretora: Mimi Leder.
- Duração: 120 min.
Um filme, muitas vezes, gera várias reflexões, além de vontade de pesquisar sobre temas e processos históricos, sociais, culturais.
Suprema é uma dessas produções.
Eu e Léo Prado assistimos ao filme e, como de costume, conversamos sobre.

Suprema ou “Com base no sexo”
O filme, baseado em acontecimentos reais, apresenta parte da biografia de Ruth Bader Ginsburg: juíza da Suprema Corte Americana, falecida em 18 de setembro de 2020, aos 86 anos de idade.
Ruth foi a segunda mulher a ocupar esse cargo, em toda a história norte-americana.
Ela tomou posse na Suprema Corte Americana no ano de 1993, durante o governo de Bill Clinton, e era identificada como parte da ala liberal dessa Instituição.
A primeira mulher a ingressar na Suprema Corte Americana foi Sandra Day O’ Connor. Apenas anos após o ingresso de Ruth, mais duas mulheres chegaram à Suprema Corte, são elas: Sonia Maria Sotomayor (2009) e Elena Kagan (2010).
Ruth Bader Ginsburg teve grande relevância na luta pela igualdade de gêneros e no enfrentamento de preconceitos contra as mulheres.
No filme Suprema somos apresentados à história de Ruth, e à sua família, no período dos anos finais da década de 1950 até meados dos anos 1970.
Nesse espaço de tempo, Ruth ingressa na faculdade de Direito em Harvard, forma-se advogada na universidade Columbia, torna-se professora e consegue o seu primeiro caso.
Suprema
Ao som da canção “Os 10.000 homens de Harvard” (Ten Thousand men of Harvard) tem início a narrativa do filme.
A imagem nos mostra, uma moça, no meio de um mar de homens, entrando nas instalações da Universidade de Direito de Harvard.
Era o ano de 1956.
Numa turma de 500 alunos, somente, 9 (nove) mulheres. Logo ficamos sabendo: este é o sexto ano com possibilidade de acesso feminino ao corpo discente do curso de Direito dessa Instituição.
A moça é Ruth. Ela é casada. O seu marido (Martin Ginsburg) é aluno do segundo ano de Direito da mesma Universidade. O casal tem uma filha (Jane).
Um detalhe importante é a parceria e a cumplicidade do casal. Um casal, diga-se de passagem, que vivencia uma relação igualitária na condução familiar e isso, como, em entrevistas, a biografada afirmou: faz toda a diferença.
Qual o vestido do ‘homem de Harvard’?
No salão de aula, todos são homens, exceto Ruth e mais duas estudantes. “O homem de Harvard” é evocado como se, apenas, o sexo masculino estivesse presente no local.
A próxima cena acontece na casa do jovem casal. O bebê está sob os cuidados do marido enquanto Ruth está preparando-se para o jantar com o Reitor da Universidade.
Ela, mostra vestidos para seu companheiro e pergunta, em tom de ironia e preocupação… “Qual parece com o homem de Harvard?”
Desafios
Ao longo do filme acompanhamos situações vivenciadas por Ruth enquanto aluna, o desafio vivenciado pelo casal em relação à saúde de Martin, a conquista de Martim de um emprego na cidade de Nova York e a, consequente, obrigatória, transferência de Ruth para a Universidade Columbia.
Apesar de formar-se com o grau mais alto de sua turma, Ruth logo descobre a questão de gênero, também, presente nas dificuldades que enfrenta para conseguir emprego.
Ela consegue trabalhar como professora, mas sente-se frustrada por não exercer a advocacia. O marido lembra que professores podem escolher casos para atuarem.
O caso tributário
É Martim quem lhe apresenta um caso tributário perpassado por questões de gênero. O diferencial desse caso é o fato da vítima ser um homem.
O obvio é dito: homens são prejudicados pelos estereótipos de gênero.
Um exemplo de como a legislação, ao perpetuar decisões baseadas na cultura de desigualdade de gênero, promove injustiças. Portanto, era sim, necessário revisar decisões precedentes e abrir novas jurisprudências, pois a justiça não pode ignorar mudanças culturais e sociais.
Como explicado por um professor (personagem), no início do filme: “O tribunal não pode ser afetado pelas condições climáticas do dia, mas será pelo clima da época”
Preparando a defesa
Acompanhamos como Ruth consegue assumir o caso, citado acima e, ainda, o desenrolar desse processo de defesa até a vitória obtida no tribunal.
Nesse caso processual, Ruth e Martin atuam em conjunto.
O Fundamento 214
Eles defendem um senhor solteiro que cuida de sua mãe enferma e idosa. A legislação da época o impede de ter acesso a um benefício de redução tributária pelo exercício desse cuidado. O motivo? Ele era um homem.
Uma mulher, nas mesmas condições , teria acesso a tal redução de imposto (Fundamento seção 214 da legislação tributária dos Estados Unidos).
Vários temas na narrativa
No meio desse roteiro várias questões são apresentadas, como: a diferença geracional entre Ruth e Jane, as manifestações contra a Guerra do Vietnã, a atuação da União Americana pelos direitos civis, exemplos de falta (e de conquistas) de diretos civis, políticos e sociais de mulheres.
Suprema é, sem sombra de dúvidas, um filme que possibilita diversas reflexões.

Eu e o professor Léo Prado assistimos e conversamos sobre o filme Suprema. Clique no link a seguir e confira: Canal do Professor Léo Prado – Suprema
