A educação de mulheres e de meninas, no Brasil, é um tema amplo, instigante e, sempre, atual.
Antes de iniciar a discorrer sobre esse assunto, creio, ser necessário compartilhar, parte de minhas reflexões sobre narrativas dessa História.
Narrativas da História
Não há história da humanidade sem homens e mulheres, contudo, as narrativas dessa história por muito tempo, e ainda, hoje, estão escritas com tintas androcêntricas.
No caleidoscópio de processos culturais, políticos, sociais, econômicos; alguns tempos, locais, ângulos e pessoas são pouco arguidos e, também, pouco escutados.
O que não os faz ausentes e, sim, não vistos, não ouvidos, esquecidos, silenciados, invisibilizados, descredenciados…
É necessário fazermos novas indagações e aprender a ouvir o que as diversas vozes estão a nos dizer.
Ouvir é um ato de respeito, de interesse e implica reconhecer um espaço de protagonismo, de alteridade, de presença.
Esta intenção deve estar explícita pela palavra (CARRA, Patrícia, 2020).
Educação de mulheres no Brasil: primórdios
Vamos pensar sobre a educação de mulheres brasileiras. Sei é um convite ousado, muito amplo…
Que tal começarmos nos perguntando sobre como era lá, no começo da história que resultou no Brasil?
Complicado escolher esse marco, mas, para início de nossa reflexão, partiremos da chegada da esquadra portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral ao litoral brasileiro (1500).
Desse evento até o ano de 1530, os portugueses não se empenharam na colonização das terras que julgavam suas, no continente americano.
A decisão de colonizar o Brasil foi tomada, apenas, em 1530.
A primeira experiência para atingir esse objetivo foi a Expedição de Martim Afonso de Sousa (Expedição Colonizadora), patrocinada por dom João III, rei de Portugal.
O início da escolarização no Brasil
A Expedição Colonizadora chegou ao Brasil no ano de 1532 e fundou a primeira vila, São Vicente.
Outras pequenas vilas foram fundadas. Engenhos de açúcar foram construídos.
Os engenhos tinham duplo objetivo: auxiliar no povoamento da Colônia e desenvolver uma atividade que rendesse riqueza para a metrópole.
A primeira tentativa de montar uma organização política administrativa para o Brasil Colônia foi o sistema de Capitanias Hereditárias (1534).
Esse não teve sucesso e impôs à Coroa a urgência de criar um sistema político-administrativo-militar centralizado, para o Brasil.
O Governo Geral, criado em 1548, foi esse sistema.
O Governo Geral não colocou fim ao sistema de Capitanias Hereditárias.
As atribuições públicas dos donatários como fazer justiça, cuidar dos assuntos da fazenda real e das questões militares foram absolvidas pelos governadores gerais.
Mas, enquanto patrimônio, as capitanias hereditárias existiram até o século XVIII, quando passaram a ser propriedade direta da Coroa.
I. Até o ano de 1549, não havia escolas no Brasil.
O primeiro governador-geral, Tomé de Sousa, chegou ao atual Estado da Bahia, no ano de 1549.
A sua comitiva contava com seis jesuítas. Podemos, com muita pretensão, marcar nesse fato, a origem da educação escolarizada no Brasil.
II. Educação escolarizada e sistematizada
O início da educação escolarizada e sistematizada no Brasil aconteceu no bojo do esforço de colonização e de domínio territorial português, com a implantação do Sistema de Governo Geral, que contou com a ação da Companhia de Jesus.
As cartas escritas pelos jesuítas são exemplos de fontes que nos permitem refletir sobre este período.
Continue lendo sobre o tema. Clique no link a seguir: Padre quer escolas para meninas.
A AUTORA

I. Dados para citar este texto:
CARRA, Patrícia R. Augusto. Educação de Mulheres no Brasil Colônia: primórdios. Histori-se, Porto Alegre, março 2021. Disponível on-line em: Educação de mulheres no Brasil Colônia . Acesso em: __/__/__.
II. Referências:
ANCHIETA, José de. Cartas: informações, fragmentos históricos e sermões. Belo Horizonte: Itatiaia: São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. 2 ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006. (Página 37).
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil, Livraria José Olympio, 1948.
LEITE, Serafim. Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil. Coimbra, 1954.
LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil: século XVI. 2.ed. Lisboa: Ed. Portugália, 1938. 2 v.
MATTOS, Luiz Alves de. Primórdios da educação no Brasil: o período heroico (1549 -1570). Rio de Janeiro: Gráfica Aurora, 1958.
NÓBREGA, Manuel. Cartas do Brasil (1549-1560). Rio de Janeiro: Officina Industrial Graphica, 1931.
TOBIAS, José Antônio. História da Educação Brasileira. 3 ed.. São Paulo: IBRASA, 1986.
IMAGEM DESTAQUE – Sant’Ana Mestra. Museu de Sant’Ana. Tiradentes, Minas Gerais (Brasil). Imagem disponível on-line em < https://museudesantana.org.br/conheca/acervo/>. Acesso: janeiro 2021.

