As Santas e a educação feminina no período colonial?
O que eu pretendo com esta interrogação?
Há mulheres ou personagens femininas que nos inspiram a buscar nossos ideais, a nos cuidar, a estudar.
Na nossa sociedade, repleta de imagens, o contato com uma iconografia inspiradora é, relativamente, fácil. Como era no período que classificamos como Brasil Colonial?
Imagens de mulheres letradas no Brasil Colônia
Que representações de mulheres letradas eram encontradas nas imagens femininas circulantes na Colônia?
O que nos dizem as imagens sacras femininas?
Até onde podemos inferir, a representação feminina mais comum de ser encontrada no período colonial brasileiro, estava na forma de santas.
Na categoria de imagens sacras, várias figuras femininas eram presentes nos espaços públicos e nos privados.
Existiam tanto nos lugares de cultos oficiais como nos diferentes lares brasileiros.
Nesse momento, não tenho a pretensão de apresentar um estudo sobre a arte sacra característica dessa época. O que proponho?
A proposta é olharmos, com um pouco mais de atenção, para esses vestígios.
As Imagens de santas
Ao refletirmos sobre imagens de santas ou de santos católicos, devemos considerar que suas construções iconográficas partem das narrativas das histórias de suas vidas e possuem usos pedagógicos aplicados nos esforços educativos de viés religioso.
Devemos ter clareza, ainda, de que “ao longo da história cristã, por conta de seu uso prático, as imagens teriam se metamorfoseado em presença, ultrapassando a função simbólica de representar e ser símbolo da história do santo (LIMA, 2015)”.
Percorrendo esta lógica, podemos inferir que muitos dos devotos e das devotas, que viveram no Brasil Colônia, desenvolveram com as santas e com os santos de sua preferência, uma interação simbólica para além da esperada pela Igreja.
O que imagens sacras diziam sobre lugares e papeis sociais e políticos aos homens e às mulheres que vivenciaram o Brasil Colônia?
Não é possível responder a esse questionamento. Podemos nos atrever a tecer algumas considerações e, ainda, inferir elementos que contribuam para pensar a educação das mulheres.
As imagens sacras ornamentaram e sinalizaram os espaços de religiosidade de diferentes lares brasileiros.
Eram encontradas nas entradas das casas e, também, nos oratórios presentes em suas salas de estar.
Estavam em medalhas ornando colos, nas mesinhas ao lado da cama e em pequenos oratórios nos quartos de dormir.
Grande parte dessas imagens representava mulheres.
As santas são ambivalentes
Em sua pesquisa etnográfica em relação à devoção à Santa Rita na atualidade, Lima (2015) concluiu que “a santa é uma (ou muitas) mulher(es) e, como tal, apresenta gostos socialmente esperados do gênero feminino, como o de gostar de receber flores, por exemplo”.
Ainda, de acordo com Lima, a santa “tem características de uma pessoa, posto que dotada de sentidos humanos: ela ouve, vê, sente, expressa-se, ao mesmo tempo em que é ambivalente, já que também é considerada sagrada”.
Acompanhe a série Imagens Sacras e educação feminina.
II. Imagens sacras de Sant’Ana e a educação feminina.
Referência citada:
LIMA, Raquel dos Santos Sousa. Sobre presença e representação nas imagens dos santos católicos: considerações a partir de um estudo sobre a devoção à Santa Rita. Relig. soc., Rio de Janeiro, v. 35, n. 1, p. 139-163, jun. 2015. Páginas 141 e 157.

